A nova face do melhoramento genético de abacaxi na Embrapa Mandioca e Fruticultura
Fernanda Vidigal Duarte Souza
O abacaxi é uma das frutas tropicais mais apreciadas em todo mundo e conquistou o gosto de tantos povos diferentes por seu aroma e sabor inigualáveis. Seu formato ímpar lhe conferiu o título de rei dos frutos. O Brasil, como centro de origem e diversidade da espécie, tem larga tradição no seu consumo, cultivo e também na pesquisa em torno da cultura. A Embrapa Mandioca e Fruticultura tem um sólido programa de melhoramento genético que já gerou híbridos de grande valor como o Imperial, o Vitória e o Ajubá, resultados de anos de trabalho e dedicação de seus pesquisadores e que já se encontram em fase de comercialização. Esse programa continua crescendo e desenvolvendo novos materiais. Entretanto, nos últimos anos, uma nova vertente do melhoramento surgiu e seus primeiros resultados deverão sair ainda este ano: os abacaxis ornamentais. Detentora de um banco de germoplasma com mais de 600 acessos e uma enorme riqueza e variabilidade genética da espécie, a Embrapa Mandioca e Fruticultura identificou variedades silvestres com grande potencial ornamental e todo um trabalho de caracterização vem sendo realizado nos últimos anos. Dentre as variedades silvestres, muitas possuem frutos pequenos, hastes retorcidas e cores variadas, características muito interessantes e que podem ser melhor exploradas como ornamentais. A partir de um criterioso trabalho realizado com esta coleção, foi possível identificar materiais com potencial para usos diversos no segmento de flores, como plantas que podem ser comercializadas em vasos, como hastes florais, para paisagismo e mesmo para folhagens de corte. A depender do uso a que se
destinam, as características almejadas são diferentes. Os abacaxis a
serem usados como hastes florais precisam ter hastes longas, frutos
pequenos e uma relação coroa/fruto bem equilibrada. Para o mercado
externo, estas hastes devem ter no mínimo Desse programa de melhoramento já foram gerados híbridos de grande beleza, cuja gama de formas, cores e arquiteturas encanta ao primeiro olhar. O abacaxi ornamental já é comercializado na Europa há pelo menos uma década. A exoticidade da pequena fruta sustentada por uma haste permite a confecção de arranjos diferenciados e originais, atraindo consumidores ávidos por novidades. No Brasil, entretanto seu
mercado é praticamente inexistente e se conhecem apenas duas
variedades, Ananas comousus var. bracteatus e var. erectifolius,
este último velho conhecido dos índios que usavam este material na
confecção de cordas e outros adereços. Esse abacaxi é procedente da
região amazônica e seu sistema de cultivo já é bem conhecido dos
produtores/exportadores, não se constituindo mais Uma faceta importante deste
programa foi a realização de parcerias sólidas e confiáveis com
colaboradores que conhecem o mercado e o produto, a exemplo da ABX
Tropical Flowers for Export. Essa empresa iniciou a produção de
abacaxis ornamentais em 2005 em uma fazenda localizada no município
de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, distante Outra parceria muito
interessante foi com as empresas sócias
TopPlant/BioClone, ambas com larga
experiência na produção de mudas de fruteiras, incluindo abacaxi. A
TopPlant foi fundada
em março de 2002, especializada em produção de mudas de melão,
melancia, mamão, maracujá e hortaliças em geral, utilizando técnicas
de avanças de macropropagação (enxertia e microenxertia) sob
condições modernas
de cultivo protegido. Já a BioClone é
uma empresa incubada através do
Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base
Tecnológica e à Transferência de Tecnologia
(Proeta), da Embrapa, desde 2008, e é especializada em
micropropagação
de abacaxizeiro, bananeira,
cana-de-açúcar e flores tropicais. Ambas as empresas encontram-se no
município de Icapuí (CE), região da Mata Fresca, numa localização
central em relação aos polos cearense e potiguar de produção de
melões, bananas e mamões. O interesse nos abacaxis ornamentais está
concentrado no mercado interno, valendo lembrar que o Ceará já é um
polo florícola consolidado no Brasil. O produto de maior interesse
para a empresa são os abacaxis em vaso e mudas clonadas das novas
variedades. Por outro lado, e não menos importante,
realizou-se uma parceria com a Fundação José Carvalho, cuja missão
social é apoiar comunidades rurais por meio de uma associação de
pequenos produtores. Um dos campos da fundação está na cidade de
Entre Rios, no estado da Bahia, onde funciona a Escola Agrotécnica
Tina Carvalho, cujo foco é a formação de crianças e adolescentes
oriundas das famílias associadas. A ideia, com esta parceria, é
viabilizar também um sistema de produção que possa atender ao
pequeno produtor, ampliando o leque de possibilidades e alternativas
para melhoria de vida destas famílias. O sistema de produção adotado
pela fundação considera tratos culturais alternativos e que possam
estar ao alcance destes pequenos produtores. Dessa forma,
essas parcerias buscam objetivos diferenciados – a exportação, o
mercado interno e o pequeno produtor –, deixando claro o uso
diversificado que pode ser conseguido com esses belos abacaxis e
com parcerias acertadas.
A finalização dos produtos e os ajustes finais
nos sistemas de produção estão sendo realizados
Dados para citação bibliográfica(ABNT): SOUZA, F.V.D. A nova face do melhoramento genético de abacaxi na Embrapa Mandioca e Fruticultura. 2011. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2011_1/abacaxi/index.htm>. Acesso em:Publicado no Infobibos em 21/03/2011 |